5 de nov. de 2009

Quem são, quanto ganham e como trabalham os professores do DF?

Matéria publicada no dia 15/10/2009.

Hoje, Dia do Professor, o DFTV mostra uma verdadeira radiografia do profissional que atua nas nossas escolas. Eles ensinam a pensar, a criar e a descobrir. Transmitem o conhecimento que acumularam.

As escolas públicas do Distrito Federal têm 28.490 professores. Desses, 24.210 estão em sala de aula. De acordo com a Secretaria de Educação, a média é de um professor para 22 alunos. Mas, na prática, a realidade é outra.

“A realidade não é essa. É totalmente diferente. Tenho 35 alunos. São muitos estudantes para um só professor tomar conta”, diz a Junine Prado.

Mesmo assim, o resultado do rendimento dos alunos tem sido positivo. Os estudantes da Rede Pública de Ensino do DF ficaram em segundo lugar, no país, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado.

Para o sindicato, resultado conseguido com o esforço dos alunos e a preparação dos professores. Quase 100% da categoria têm graduação e muitos são mestres e doutores. E quando os salários são comparados com os de professores de outras unidades da Federação, os do Distrito Federal são bem pagos.

No DF, um professor de 1ª a 4ª séries, com 40 horas semanais de trabalho, ganha R$ 3.820. Em São Paulo, esse mesmo professor ganharia R$ 1,6 mil. No Rio de Janeiro, R$ 1,4 mil.

O diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro) não quer essa comparação. Ele cita outras categorias de servidores do DF. “Na verdade, o professor do DF ainda tem um dos menores salários, comparando com profissional da educação, com categorias de nível superior do próprio GDF. Do ponto de vista nacional, é verdade que temos um dos maiores salários. Mas, em Brasília, também temos um dos maiores custos de vida do país”, destaca o diretor do Sinpro, Carlos Garibal.

"Eu concordo. Se compararmos, dentro do DF, com outras categorias, há essa diferença. Por outro lado, não é possível fazer essa comparação, porque são atividades e atribuições diferenciadas”, argumenta a secretária-adjunta de Educação Eunice Ferreira.

Mas a secretária promete: “verificado que houve aumento da expectativa de arrecadação, há um repasse para os salários. Caso não tenha ocorrido essa elevação da arrecadação, há um aumento garantido em março de 2010, de aproximadamente 10%.”

Saúde do professor

São 45 novas escolas, 19 reformas e ampliações em três anos. A estrutura de alguns colégios melhorou, mas ainda está longe de ser a ideal. A Escola Classe 104 de São Sebastião, por exemplo, não tem biblioteca. A professora faz de tudo para incentivar a leitura.

“Tenho que levar os livrinhos destinados aos primeiros e segundos anos pra sala, para a professora trabalhar em sala com eles. Mas eles falam: ‘tia, que dia a gente vai pra lá’. Só que não tem como vir”, diz a professora Tânia Cristina Rocha.

Sala de informática? Nem com improviso. “O Ministério da Educação doou equipamento para a escola, mas não tivemos como montar esse laboratório de informática por causa do espaço físico”, comenta o diretor Juscelino Zerras.

Além de lidar com a falta de condições de trabalho, muitos professores ainda convivem com a falta de segurança. De acordo com o sindicato da categoria, este ano foram registrados 11 casos de violência contra o professor. Uma realidade que assusta educadores e acaba refletindo na saúde. De janeiro até setembro, foram 32 mil atestados médicos e 300 mil dias de licenças. A maioria por doenças relacionadas ao estresse e à depressão.

Numa escola na Estrutural, 11 dias depois da inauguração, paredes foram pichadas e professores ameaçados. “Hoje em dia, está muito difícil por causa da falta de limites. Até o que acontece em casa eles trazem para a escola. Então, a falta de limites das crianças está dificultando nosso trabalho”, fala a professora Cristina de Souza.

“Hoje os professores estão fazendo um trabalho em equipe com vários projetos, onde mostramos que a escola pertence a eles. E eles têm dado retorno para a gente e para eles mesmos, né?”, afirma a diretora do CEF 1 da Estrutural, Marinéia da Esperança.

São projetos que cada escola tem desenvolvido de acordo com a realidade dos alunos para alcançar um objetivo: educar.

“Se numa região está tendo muito índice de violência doméstica, droga, gravidez na adolescência, a escola tem autonomia para desenvolver esses projetos e trazer os jovens para dentro da escola pra ele estar mais próximo do professor, o que tem facilitado bastante o estudo”, diz o diretor da Regional de Ensino Plano Piloto/Cruzeiro, Fábio Pereira de Souza.

Exemplo

Apesar dos problemas, no DF há professores que servem de exemplo para todo o país. É o caso do professor de química Marco Antônio Domingos de Oliveira, que leciona no Centro de Ensino Nº 2 do Cruzeiro.