7 de abr. de 2010

Pacientes com suspeita de dengue esperam horas por atendimento no Hospital de Planaltina

Em apenas uma semana surgiram 780 novos casos suspeitos. Planaltina superou a Vila Planalto e é a cidade onde a doença mais avança. O Hospital Regional de Planaltina está superlotado.

A vida de quem depende de hospital público é assim: longas horas de espera por atendimento e sem a certeza de que, no fim, vai conseguir um médico. Ontem à noite, dia 6, na emergência do Hospital Regional de Planaltina, não foi diferente.“São 20h30 e agora que estão chamando as fichas de 12h45. Eu vou ser atendido duas horas da manhã, porque eu cheguei às duas da tarde. Se fosse pra morrer, já estava morto”, reclamou o porteiro Welton Carlos Rodrigues.E os idosos? Têm pelo menos prioridade como manda a lei? “Já teve duas chamadas de 15 pessoas para a ortopedia e a minha ficha não estava lá no meio”, disse Manoel Lima, 71 anos. Vários pacientes esperam horas para serem atendidos. Até mesmo quem estava com suspeita de dengue. “Eu estou com febre, dor de cabeça, ânsias de vômito e gripado. Estou aqui desde meio-dia e até agora não fui atendido”, reclamou o pedreiro João Fogaça.“Estou com febre e suando muito. Até agora, nada de atendimento”, reclamou a dona de casa Lilian Santos. A dona de casa Ivaneide Moura Alves teve dengue este ano. Agora, é o filho dela que está com os sintomas. Ele passou pela triagem do hospital, mas nada foi dito. “Ele está com febre e não foi atendido por um médico. Só mediram a pressão e verificaram a febre. Não disseram se pode ser dengue ou não”, contou a dona de casa.Em média, a emergência do Hospital Regional de Planaltina recebe 900 pessoas por dia. Uma procura sobrecarregada com pacientes do Entorno. A direção do hospital reconhece que não há médico suficiente. “Eu quero saber se vou ficar a noite toda aqui, para não ser atendida. E amanhã, daqui mesmo vou ter que ir para o trabalho. Ter que passar a noite toda aqui para ser atendida e ainda ter que trabalhar no dia seguinte é um absurdo. Tem que melhorar esse hospital aqui”, reclamou a cozinheira Lucineide da Silva. Bernardo Menezes / Robson Bié