26 de abr. de 2010

Pessoas de todo o país ajudaram a construir Brasília

Mais do que construir uma cidade, os pioneiros foram responsáveis por transformar em realidade o sonho de JK. Após a conclusão das obras, muitos decidiram ficar na nova capital. “Foram necessários 60 mil trabalhadores vindos de todos os cantos da imensa pátria, sobretudo do norte do país para desbastar, cavar, estaquear, cortar, serrar, pregar, soldar, empurrar, cimentar, aplainar, polir, erguer as brancas empenas”, lembra Vinícius de Moraes na Sinfonia da Alvorada. Foi uma jornada incessante. “Brasília não parava, trabalhava uma turma de dia e a outra a noite”, lembra o pioneiro Benedito Lopes Caldas. O cerrado transformado num grande canteiro de obras. “O Plano Piloto parecia um trovão, fazenDo barulho por lá. Com aquelas máquinas que eu mesmo nunca tinha visto”, conta Zé Mineiro. O trabalho era o convite a brasileiros de todos os cantos. Caminhões chegavam apinhados de gente que queria participar da construção da nova capital. “Goiano, cearense, tudo. Tudo era para ver aquele assunto de Brasília. Igual eu vim. Vim para passear e acabei ficando e estou até hoje aqui”, afirma Zé Mineiro. O que manteve candangos como Zé Mineiro na cidade mesmo depois da obra terminada? A pioneira Elvira Barney, que reuniu depoimentos das primeiras mulheres que chegaram a Brasília, arrisca uma resposta. “Não importava nível social, carreira, profissão, não importava nada. Era a solidariedade. Todas as mulheres que eu entrevistei falam isso. A solidariedade era uma coisa tocante na época. Por isso que todo mundo aguentou ficar aqui”, opina. Olhando esta casa na Vila Planalto é como se a gente fizesse uma viagem ao passado. Era assim que os candangos viviam - em construções de madeira simples e acolhedoras. Dona Aparecida Cardoso Emediato mora aqui desde o início de Brasília e guarda a memória da época preservando a casa original e dividindo conosco belas histórias. Professora da primeira escolinha da Vila Planalto, ela viu a síntese do país na sala de aula. “Eu acho que isso foi uma dádiva até, dar aula para aquela meninada que chegou aqui, meninos do Brasil inteiro, né? Você entrava na sala de aula, cada carinha você via que estava vindo de um lugar diferente, né? É bom, foi uma experiência muito boa que eu tive”, conta Aparecida. A experiência do pedreiro Aurélio José da Silva foi construir prédios de superquadras como a 206 Sul. Baiano, ele foi para São Paulo atrás de emprego, mas decidiu vir pra Brasília quando ouviu que a construção precisava de operários. “Trabalhei muito com carrinho de mão e cimento no ombro, carregava cimento, descarregava cimento e aqui era aquela vida mesmo, não este negócio não”, explica. Depois das obras terminadas, ele nunca mais havia entrado na quadra que ajudou a construir. “Eu me admiro de saber que está pronto, que o povo está morando aí há muitos anos. Tudo passaram pelas minhas mãos e dos outros também”, diz. São personagens que se orgulham de ter ajudado a escrever a história da cidade. “Eu não sou brasiliense porque não nasci aqui, mas sou candanga, né? Eu acho isso prá mim é uma vitória”, afirma Aparecida. Reportagem: Márcia Zarur Produção: Vitor Matos Imagens: Almir de Queiroz, Marcione Santana e Luiz Ródnei Auxiliar de Cinegrafista: Rafael Franzoni Sonorização: Marcelo Kbça Arte: Leonardo Veloso Edição de texto: Sandra Amaral e Márcia Lage Edição de imagens: Ademir Valentinm