7 de abr. de 2010

Secretaria de Segurança Pública divulga um balanço de crimes no DF

A Secretaria comparou crimes que aconteceram em janeiro de 2008 a dezembro de 2008, com janeiro a dezembro de 2009. Foram relacionados 22 crimes. Destes, 14 tiveram um aumento.

Os homicídios aumentaram de 651 ocorrências, em 2008, para 765, em 2009. Tentativas de homicídios passaram de 1.002 para 1.114 casos. Lesões corporais também subiram: 10.847 ocorrências, em 2008, contra 11.053 no ano passado. Os roubos passaram de 22.042 ocorrências para 22.714. Tráfico de drogas, uso e porte de drogas e porte de armas subiram 11,4%. O secretário de Segurança, João Monteiro Neto, informou que as operações para combater crimes vão continuar e admite que faltam policiais nas ruas do DF. “Existe uma defasagem em termos de quadro. A Polícia Militar não tem aumento no seu efetivo, acredito que desde 1992. E a Polícia Civil também da mesma época. Ambas as corporações estão trabalhando com um planejamento de aumento dos seus quadros. Não apenas em função da realidade da criminalidade de hoje no Distrito Federal, mas também em função de eventos futuros que vão acontecer, como a Copa do Mundo”, fala o secretário de Segurança Pública João Monteiro Neto. Uma pesquisa baseada em dados do Ministério da Saúde revela que os crimes aumentaram no DF, principalmente em Ceilândia, Samambaia e Planaltina. Quem costuma andar pelas ruas do Distrito Federal já sabe. “Há dez anos eu saia de casa mais tranquilo. Podia sair com meus filhos para passear. E hoje em dia, jamais”, fala o garçom Adailton dos Reis. “Hoje está mais complicado. Tem muita gente e a questão da pobreza ajuda bastante”, diz o servidor público Luciano Falcão Alves. Entre 1997 e 2007, o número de homicídios passou de 668 para 815. Um aumentou de 22%. Em dados relativos, o DF também subiu uma posição no ranking dos Estados mais violentos. Em 1997, eram 35 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Dez anos depois, a taxa caiu para 33, mas o Distrito Federal passou do sexto para o quinto lugar no país. “A situação que está mais crítica em São Sebastião é a dos os jovens, por causa das gangues. Hoje em dia, eles não sabem mais resolver as coisas com palavras, só sabem resolver as coisas com a arma. Se um diz uma coisa para o outro, então, ele já vem com a arma pra matar aquela outra pessoa”, reclama a dona de casa Maria de Sousa Santos. O Distrito Federal tem o quarto maior orçamento de segurança pública do Brasil. Os salários dos policiais estão entre os mais altos do país. E a polícia é uma das mais qualificadas, com índice de 70% de esclarecimento de homicídios. Então, fica a pergunta: por que as mortes violentas não diminuem? Para o especialista em segurança Arthur Trindade, professor da UnB, a solução não passa por recursos, mas por integração política entre os órgãos do governo. “A solução desses homicídios não passa apenas pela polícia, mas ela depende fundamentalmente dos governos estaduais assumirem a questão de articularem ações”, explica Arthur Trindade. Outro dado da pesquisa mostra que os homens negros são as maiores vítimas da violência. Em 2007, morreram 114 brancos e 687 negros. A taxa de homicídio é de 64 homens a cada 100 mil habitantes. Entre as mulheres, é de cinco vítimas a cada 100 mil. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, as cidades mais violentas do Distrito Federal são Ceilândia, Samambaia e Planaltina. “Eu vivencio isso todos os dias. Com certeza, não tem dúvida de que Ceilândia é uma das cidades mais violentas”, fala a estudante Mírian de Araújo Barros. “O DF continua muito violento e pouco seguro”, afirma Arthur Trindade.