3 de mai. de 2010

Caos na rede pública de saúde parece não ter fim

Famílias que passaram o fim de semana à procura vaga em UTI foram pedir socorro à Justiça. Do outro lado, o Sindicato dos Hospitais Particulares também reclama: quando atende, não recebe do governo.

Do hospital para Defensoria Pública. Esse tem sido o trajeto de Alcides nos últimos dias. O pai dele está internado no Hospital de Base há duas semanas, por conta de teve um tumor no cérebro. Fez uma cirurgia nessa última sexta-feira, mas ficou no centro de recuperação, à espera de uma vaga em UTI. “Do dia 16 ao dia 30, passei por várias dificuldades até encontrar o caminho certo. Quando o meu pai fez a cirurgia, achei que automaticamente ele ia pra uma UTI. Não foi. Está lá até agora. Pra ir pra uma UTI agora, tive de recorrer à Justiça, à Defensoria Pública”, conta o autônomo Alcides Vieira. Patrícia tem um problema parecido: o pai dela fez uma cirurgia no Hospital de Base para retirar líquido do cérebro. Ela passou o domingo pedindo ajuda, mas a decisão do juiz não trouxe tranquilidade. “Ele agora está no centro cirúrgico da neurologia do Hospital de Base. Ele tá lá dentro desde sexta-feira, porque não tem vaga em UTI. O juiz já decidiu que ele precisa da vaga, mas e se não tiver vaga?”, questiona a assistente administrativa Patrícia Rodrigues. Os plantões da Defensoria Pública funcionam aos sábados, domingos e feriados. Por mês, a média é de 120 ações em que os defensores públicos exigem que o governo pague leitos em hospitais particulares para pacientes com grave risco de morte. A crise na saúde pública também afeta os hospitais particulares. Eles fizeram um convênio com o GDF e reservam parte dos leitos para pacientes do SUS. No caso de UTIs, o contrato aumentou de 50 para 150 leitos e, mesmo assim, faltam vagas. Agora, o Sindicato dos Hospitais Particulares diz que o GDF não paga a conta há nove meses e a dívida já chega a R$ 50 milhões. “A saúde financeira, principalmente das instituições menores, está completamente comprometida. Alguns empresários já usam recursos de bancos para não deixar de cumprir com as suas obrigações. A gente precisa que os pagamentos sejam regularizados. Os pagamentos de 2009 e os de 2010”, afirma Daniele Ferreira, representante do sindicato. Por telefone, o secretário de Saúde Joaquim Barros disse que o pagamento demorou porque foi feita uma auditoria nas contas. Agora, promete começar a quitar a dívida ainda esta semana. O secretário disse também que já foram construídas novas Unidades de Tratamento Intensivo em todos os hospitais regionais. Os primeiros leitos devem ser abertos ainda no primeiro semestre. Serão cinco leitos em Ceilândia, 20 em Taguatinga e de dez a 15 no Gama.Kenzô Machida / André Lima