9 de jun. de 2010

Hospital de Samambaia está sem clínica geral e sem pediatria

Após vistoria, Conselho Regional de Medicina decidiu interditar hospital. Para o CRM, além de faltar medicamentos é necessário contratar 31 médicos para a pediatria e para a clínica geral.Os médicos pararam de atender pacientes de clínica médica e pediatria no pronto-socorro do Hospital de Samambaia nesta terça-feira, dia 08. Os pacientes serão encaminhados para os hospitais de Taguatinga e Ceilândia e o SAMU e os bombeiros já foram comunicados. A interdição ocorreu às 17h, quando uma equipe de conselheiros e médicos do CRM entregou para a direção do hospital a determinação. O médico que não cumprir a determinação pode receber desde uma suspensão até ter o diploma cassado – medida que vale também para o secretário de saúde e para o diretor do hospital. Para o CRM, além de faltar medicamentos é necessário contratar 31 médicos para a pediatria e para a clínica geral.Na emergência, os pacientes foram informados que não há atendimento. “Clínica médica não tem, vou ter que correr em outro hospital”, afirmou uma paciente. O quadro de plantonistas não é atualizado há duas semanas. Apesar de a direção informar que há 12 médicos na escala, os funcionários disseram que só quatro estão no plantão. Ontem, uma equipe do Conselho Regional de Medicina esteve no hospital pela segunda vez neste ano e constatou que as irregularidades continuam. Faltam médicos e aparelhos importantes de tomografia e de raios-X estão encaixotados. Apenas um dos três elevadores está funcionando e é utilizado para o transporte de alimentos, pacientes e cadáveres. O relatório do CRM foi enviado a Secretaria de Saúde, que na semana passada havia prometido contratar especialistas que deveriam ter assumido o pronto socorro há quatro dias. Só depois da ameaça de interdição, o secretário de saúde, Joaquim Barros, esteve no hospital. Ele disse que na próxima quinta-feira 23 especialistas aprovados no último concurso começam a trabalhar. “Na quinta-feira estarão chegando aqui 23 novos profissionais, entre clínicos gerais, cardiologistas, pediatras, hematologistas e anestesistas. Então, o problema está resolvido”, explicou. Mesmo com a promessa, o CRM decidiu interditar a clínica médica e a pediatria do hospital. Nenhum paciente que procurar essas especialidades terá atendimento. “Eles não estão reivindicando dinheiro ou salários melhores, eles estão reivindicando qualidade de serviço. Isso é importante e é função do CRM fiscalizar os hospitais e os médicos para que haja um boa medicina”, afirmou o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, Dimitri Homar Gabriel. Flávia Marsola / Luiz Gonzaga Pinto