Falta de material, de médico, de leito. O que fazer quando o atendimento na rede pública de saúde não é bom? Os hospitais têm ouvidoria, mas o serviço quase não é divulgado.Filas, longas esperas, falta de medicamentos e muitos desabafos, como na emergência do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). “Na quarta-feira passada eu vim pra cá às sete horas da noite. Já estava dando dez horas e eu ainda não tinha sido atendida. Por conta da troca de médicos a demora é muito grande”, reclama a auxiliar de cozinha Adriana Militão. “A gente espera e nada. Do jeito que eu estou indo, só aguento mais uma hora. Depois de ir lá pra dentro, ainda tem que esperar mais uma meia hora, uma hora”, acrescenta o jardineiro Hamilton de Souza. Quem deveria ouvir todas essas reclamações são as ouvidorias dos hospitais, mas a procura por uma solução é pequena. Hoje, de 500 atendimentos por dia no Hran, apenas quatro pacientes reclamam na ouvidoria. “Isso é devido ao bom andamento do nosso atendimento. Cada chefia de equipe responde pelo atendimento da sua área. As reclamações já estão sendo feitas e sanadas pelas chefias de equipe”, explica o chefe da ouvidoria do Hran, Flávio Santana. Qualquer pessoa pode fazer queixa nas ouvidorias. Basta preencher um formulário com dados pessoais e detalhar a reclamação. Com esse documento o hospital fornece um número de protocolo. Segundo a Secretaria de Saúde, o paciente recebe uma resposta em até 15 dias. Mas, tente descobrir onde fica a ouvidoria: “você pergunta o telefone e eles nem passam, não”, reclama a secretária Ana Lúcia Resende. Falta divulgação. No pronto-socorro não há nenhum aviso informando o número e quem consegue encontrar o serviço nem sempre fica satisfeito. O cunhado de Licanor, por exemplo, está internado há uma semana. Ele conta que o atendimento é precário. A enfermagem não passa no local que ele está internado. Tem que tirar a temperatura dele, pra saber quanto que ele está de febre. Quando precisa trocar um soro você tem que ir lá brigar com os enfermeiros. Do contrário eles não atendem”, reclama o motorista Licanor Paulo. A reclamação chegou à ouvidoria. O que aconteceu? “No dia que você reclama, eles tomam providências. No dia seguinte, já param com tudo e não fazem mais nada”, acrescenta Licanor.
Serviço:Quem tiver reclamações deve entrar em contato com a Secretaria de Sáude pelo telefone 160. A secretaria garante que repassa as questões aos hospitais.Kenzô Machida / Wesley Araruna