5 de nov. de 2009

Pacientes dormem na fila do Hospital São Vicente de Paulo

Matéria publicada dia 21/10/2009.

Quem consegue a consulta enfrenta outro problema: 14 medicamentos estão em falta no hospital psiquiátrico de Taguatinga.

Chegar de madrugada para conseguir consulta no Hospital São Vicente de Paulo nem sempre adianta. Luiz foi para a porta do hospital às 17h de ontem (20). “Se a gente vier pra dormir, aí consegue. Se não for assim, não dá”, conta Luiz José de Souza.

Há mais de três anos não é feita a marcação de consultas no hospital e o jeito é pegar fila. Hoje, apenas 30 vagas foram abertas. Vinte e cinco vagas são reservadas para os centros de saúde, que encaminham os pacientes para o hospital. Quem não consegue consulta no posto e não ficou entre os 30 primeiros, volta para casa.

“Eu tenho depressão e não durmo de jeito nenhum. E eles ainda tratam a gente como louco. Olham pra nossa cara e não conversam. Só mandam sair. Eu falei que esperava até de tarde, mas eles disseram que não”, diz a passadeira Maria Alves Pereira.

Os pacientes precisam da consulta para ter acesso aos medicamentos controlados. Maria Lúcia foi atendida pelo médico e conseguiu a receita. Mas, quando foi à farmácia... “Não tem remédio. Toda vez que eu venho é assim. E não tem jeito. Vou ficar sem porque não tenho dinheiro pra comprar. E aí, fico sem dormir”, conta a dona de casa Maria Lúcia Barbosa.

Essa manhã, a resposta era a mesma para a maioria das pessoas que chegava à farmácia. “Tem mais de um mês que eu tento pegar o remédio e não tem”, reclama o aposentado Sebastião Alves Ferreira.

Catorze medicamentos estão em falta no Hospital São Vicente de Paulo. Um dos remédios não chega às prateleiras da farmácia desde maio. A diretora do hospital, Cássia Marques, explica que a demanda dos pacientes é sempre maior do que a quantidade de medicamentos.

“Nós estamos fazendo um esforço e uma previsão de medicação para que isso não aconteça, e que a compra sempre ocorra com antecedência. É um esforço geral da Secretaria de Saúde. Mas a população tem crescido muito e os serviços também. Nós estamos tentando não deixar que a medicação falte”, justifica a diretora.

Cássia Marques disse ainda que os pacientes podem ir aos centros de saúde, centros de atenção psicossocial, ambulatórios e emergências dos hospitais.