24 de fev. de 2010

Conheça a história da Associação Agulha Mágica

A associação direcionou a venda dos produtos artesanais para o exterior, só que a queda do dólar provocou a perda de clientes lá fora. O resultado foi o endividamento das artesãs.

Dalva e Francisca faziam parte do grupo de artesãs que bordava enfeites de crochê. Há oito anos, a renda mensal de cada uma era de R$ 800. Dinheiro que faz falta. “À vezes, chego até a sonhar que estou fazendo o serviço, levantando cedo, dormindo tarde e já levantando. Só tomar um café e já ir correndo trabalhar. Eu já acostumei com o meu dinheiro e hoje, me ver dependendo dos outros, não é fácil”, confessa a artesã Dalva Maria de Souza. Criada em 2002, a Associação Agulha Mágica chegou a ter 280 funcionárias. O trabalho era feito em casa e em uma sede. A maioria dos produtos era exportada. Os problemas financeiros começaram há quatro anos.O galpão em Santa Maria, onde ficavam as máquinas de costura, foi fechado. Hoje, todo o material está espalhado na casa de algumas artesãs. São frutas e bichinhos de crochê encalhados. A mão-de-obra de cada um custou R$ 0,80. Fora o custo das linhas. O motivo da falência do grupo foi a queda do dólar. Com a moeda americana mais barata, o produto em real ficou mais caro e, por isso, menos competitivo. “A gente foi deixando de vender e eu fui endividando. Eu tive que vender a minha casa para quitar algumas dívidas que eram mais urgentes como, por exemplo, o banco. Coisas que iam piorar para o meu lado”, conta a ex-presidente da associação, Maria Ana da Rocha. Para a professora de administração Adriene Neves, a estratégia de vender para o exterior não foi errada. Mas para pagar as dívidas e se inserir no mercado novamente, a associação deveria investir nos consumidores internos. “O retornar às origens e aos produtos que ela iniciou, talvez fosse a melhor alternativa. Eu retornaria e começaria com os mesmos produtos, buscando novamente o mercado interno”, recomenda Adriene Neves. Apesar da situação financeira, a Associação Agulha Mágica ainda pode se recuperar, se tiver novas encomendas. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo telefone 8575-2713.