O problema atinge principalmente as cidades mais pobres. Mesmo assim, para algumas profissões sobram vagas. Este é o tema da primeira reportagem da série sobre trabalho. Acompanhe!
Procura no jornal. Angústia. A fila diminui, mas lentamente. Ao todo, 202 mil pessoas estão desempregadas no Distrito Federal. São 14% da população apta a trabalhar. Pior para os mais jovens. Entre 18 e 24 anos é quase o dobro.O desemprego é maior onde há mais pobreza. Brazlândia, Ceilândia, Paranoá, Samambaia, São Sebastião, Santa Maria e Recanto das Emas têm mais que o dobro da taxa de Brasília, Lago Sul e Lago Norte.Desempregado há seis meses, Eneilton mostra com orgulho as três carteiras com décadas de experiência: motorista, vigilante, repositor de estoque, porteiro, segurança e uma família para sustentar. Aos 40 anos, não escolhe mais o trabalho. “Agora, qualquer tipo de serviço disponível eu vou pegar. Tenho família pra cuidar e aluguel pra pagar”, diz Eneilton de Siqueira.A corrida por uma vaga também discrimina. As mulheres dominam alguns setores. Mesmo assim, continuam em desvantagem no mercado de trabalho do DF. Apesar de terem um nível de escolaridade maior que o dos homens, elas ainda lideram a lista do desemprego.Em dezembro, 17,2% das mulheres estavam desempregadas, contra 11,9% dos homens. “Elas tendem a ter uma maior dificuldade para entrar no mercado de trabalho devido a vários fatores. Um deles é conciliar a jornada de trabalho com a jornada de serviços domésticos. Isso faz com que elas sejam mais seletivas na procura do emprego”, explica o economista do Dieese Tiago Oliveira.O trabalho informal cresce distante de leis e benefícios. A cada cinco trabalhadores do setor privado, um não tem carteira assinada. Há quatro meses, Wellington faz dos bicos seu ganha-pão. “Trabalho de servente, trabalho em chácara. Vou me virando assim”, conta.O setor de serviços lidera os empregos no DF, com 590 mil postos. A administração pública emprega 198 mil pessoas, o comércio mais 188 mil e a construção civil, setor que mais cresce, emprega 60 mil pessoas.Vendedor, cozinheiro, trabalhador em manutenção de construções, faxineiro e pedreiro estão entre as profissões que oferecem e que mais sobram vagas. No mês de janeiro foram abertas 2.782 vagas e nem a metade foi preenchida.“Durante um tempo, as pessoas só se preocupavam em ter experiência, já que o mercado exigia muita experiência. Só que hoje ele também exige uma qualificação formalizada, ou seja, um certificado, um curso técnico, um curso de qualificação profissional”, alerta Carla Couto, da Secretaria de Trabalho do DF.Foi o caminho que Ulisses percorreu até assumir a portaria de um prédio na Asa Sul. Fez curso de vigilante e conseguiu a vaga na Agência do Trabalhador em Taguatinga, depois de quatro meses desempregado. Insistência que valeu a pena. “Eu ia lá de manhã, de tarde. Quem frequenta lá, quem faz o cadastro, consegue. Eu consegui e estou muito feliz”, revela o porteiro Ulisses Vieira.