17 de mar. de 2010

Mais distritais estão na lista de suspeitos do Ministério Público

MPDF coloca sob suspeita mais distritais e suplentes. Confira, com exclusividade, documentos e um novo depoimento de Durval Barbosa, que inclui deputados que não eram investigados no mensalão.

Um dos documentos foi apreendido na casa do ex-presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (ex-DEM), tem o nome de seis deputados e ao lado valores: Milton Barbosa, R$ 12.000; Jaqueline Roriz, R$ 12.000; Rogério Ulisses, R$ 10.000; Raimundo Ribeiro, R$ 12.000; Eurides Brito, R$ 14.000; e Benedito Domingos, R$ 12.000. De acordo com o Ministério Público, embora não seja suficiente para apontar a existência de crime, as anotações colocam os deputados sob forte suspeição. Os promotores dizem também que as compras e venda clandestina de apoio político podem ter ido além dos detentores de mandatos. Outro documento apreendido lista o ex-deputado Júnior Brunelli e 26 suplentes com os números de votos obtidos. No fim da página, anotações de valores: R$ 53 mil e R$ 40 mil. Em depoimento ao Ministério Público, Durval Barbosa disse acreditar que os R$ 53 mil seriam um valor mensal a ser rateado pelo grupo da lista e que o apoio era dado em troca de dinheiro. A ação pede ainda o afastamento da votação sobre o pedido do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de outros deputados. Em depoimento recente, em 11 de março, Durval Barbosa explicou aos promotores quem seriam as iniciais em uma tabela, supostamente um balanço de pagamento a apoiadores. No caso, BC seria Batista das Cooperativas; RN era Rôney Nemer. O deputado Rôney Nemer disse que não tomou conhecimento de qualquer fato novo que possa incriminá-lo. Também não pretende recorrer a Justiça caso seja impedido de votar. Por meio da assessoria, a deputada Eurides Brito disse que não foi notificada sobre a ação, mas não pretende recorrer mesmo que haja decisão desfavorável a ela. Milton Barbosa disse que não teve o nome citado em qualquer parte do inquérito do mensalão. Ele diz que vai recorrer caso à Justiça o proíba de participar da votação. Já Batista das Cooperativas disse que acata eventual decisão contrária a ele. Júnior Brunelli disse que não vai se manifestar sobre o assunto até se informar do processo. Jaqueline Roriz, que ontem (16) atendeu ao telefone, mas desligou ao saber que se tratava da ação do Ministério Público, disse hoje que os valores tratam de cargos comissionados na estrutura da Câmara Legislativa. Raimundo Ribeiro informou por meio da assessoria que examina o processo e ainda vai dar resposta. O deputado Benedito Domingos disse que não vai falar sobre o assunto. Já Rogério Ulysses alegou que existem vários “Rogérios” e o citado no papel pode não ser ele. O deputado alega que nunca recebeu propina. E não pode ficar comentando sobre papéis encontrados na casa de terceiros.