Pela segunda vez em menos de duas semanas, Daniel procurou o hospital com dores na cabeça e no corpo. Em uma das tentativas, desistiu de tanto esperar. Na outra, teve que ir embora porque os funcionários informaram que não havia luvas e, portanto, não haveria atendimento.
“Estou indo embora passando mal, de novo, e não sei quando vou voltar. Todo dia é a mesma coisa”, conta o alfaiate Daniel José Dos Santos.
Lucélia, mulher de Daniel, não se conforma. “São 12 horas. Eles chegam e falam que o médico vai atender depois das oito. E os outros médicos que passaram o dia todo e nada?”, questiona a diarista Lucélia de Paula.
Funcionários dos hospitais confirmaram que faltam materiais. Eles não quiseram aparecer, mas disseram que não tem, por exemplo, seringas, termômetros, macas e etiquetas para rotular potes de exames. Além disso, alguns resultados não podem ser emitidos porque não há tonner nas impressoras.
Maria levou um colchonete, de casa, para a irmã passar a noite no hospital. “Minha irmã é excepcional, usa marca-passo e é diabética. Mesmo assim, ia ficar alojada em uma cadeira. Pobre também merece viver e ter uma condição digna de sofrer”, diz a aposentada Maria da Penha Gama.
Sobre a falta de material nos hospitais públicos, a Secretaria de Saúde esclarece que as seringas de 1ml chegaram ontem à tarde e até amanhã devem ser distribuídas. Os fios para cirurgia também já chegaram e estão no almoxarifado central. Antes de serem distribuídos, vão passar por inspeção. Quanto à falta de macas, luvas e material de almoxarifado, a secretaria não deu resposta.
Luísa Doyle / Élder Miranda
19 de abr. de 2010
Hospitais do DF estão sem material
Além das longas filas, de ter que suportar mais de 12 horas de espera por um atendimento, quem depende da saúde pública também sofre com a falta de remédios e médicos.