Espera por cirurgia no Hospital de Base pode chegar a dois anos
Direção afirma que cinco mil pessoas estão na fila para realizar procedimentos cirúrgicos. Falta de equipamento para esterilizar instrumentos cirúrgicos é uma das causas da demora.
No Hospital de Base, a espera por uma cirurgia de catarata pode durar mais de dois anos. Além disso, muitas cirurgias são desmarcadas por falta de material cirúrgico. A aposentada Francisca de Jesus Silva enxerga com apenas um dos olhos e mesmo assim há mais de três anos a visão não anda muito boa. Os médicos constataram que ela está com catarata. Há dois anos ela tenta fazer uma cirurgia. “Estou sofrendo demais da conta porque eu ando, ando, ando, passo o dia aqui”, afirmou. Com tantas remarcações, os exames muitas vezes chegam vencidos nas mãos dos médicos. Nesta segunda-feira (5), quando tudo parecia dar certo, veio a notícia de que a cirurgia não poderia ser feita por falta de material. “Olha, aqui não dá para fazer cirurgia porque não tem material cirúrgico. E a gente nem sabe quando é”, lembrou Francisca sobre o que lhe foi dito.
A cirurgia de catarata foi adiada pela quinta vez e os transtornos só aumentam. “Tem vez que eu falto o serviço para ajudar ela dentro de casa para ela não ficar só em casa”, disse o neto de Francisca, Paulo Fernandes. A brigadista Maria das Dores Souza também espera por uma cirurgia. Há quase um ano, deu entrada em toda a papelada necessária para tratar a catarata no olho esquerdo e até agora não conseguiu ter previsão de quando vai para sala de cirurgia. “Tem um ano que estou tentando. O médico do posto de saúde do Guará 2 me encaminhou, mas o hospital não chama. Nem aqui, nem para o HRT e para outros lugares que têm [a cirurgia] também, mas não saiu vaga até hoje. Fica prejudicando a saúde da gente porque é uma cirurgia de vinte minutos e eles ficam adiando o tempo inteiro”, lamentou. De acordo com o diretor geral do Hospital de Base, Luiz Carlos Schimin, o equipamento que faz a esterilização de alguns materiais utilizados em procedimentos cirúrgicos está quebrado. “São materiais que não podem ser esterilizados em temperaturas mais altas e esses materiais são os utilizados para cirurgias oftalmológicas, mas também de outras áreas como ortopedia e cirurgia geral”, explicou. Schimin disse ainda que, com a quebra do equipamento, os materiais estão sendo esterilizados em Anápolis (GO), o que leva dois ou três dias. “Já foi solicitado à secretária de Saúde o conserto do equipamento e o contrato de manutenção. Estamos aguardando que o setor responsável efetive esse contrato para que o equipamento seja consertado”, afirmou. O diretor geral do Hospital de Base disse que está tentando que os materiais de uso mais urgente sejam esterilizados no Hospital das Forças Armadas para reduzir o tempo de espera. Além das cirurgias de cataratas, outras cirurgias estão sendo prejudicas pela falta de material. “Tem cirurgias da área de ortopedia, de cirurgia geral, de otorrinolaringologia que precisam de material que não podem ser esterilizado numa temperatura mais alta. Essas cirurgias todas estão tendo problemas de suspensão por falta de material esterilizado. Não é que não tem o material, tem”, reforçou. Segundo Schimin, a quantidade de médicos cirurgiões é suficiente, mas há um déficit de anestesistas. “Eu não diria que a gente tem um déficit significativo de cirurgiões, mas nós temos um déficit extremamente importante e grave em toda a rede de profissionais de anestesia.” Fila também para cirurgia de tireóide A espera é longa também para quem precisa de cirurgia para retirar tumor na tireóide. A técnica em enfermagem Ângela Maria da Conceição descobriu há quatro anos que tinha um tumor na tireóide e até não conseguiu fazer a cirurgia. As complicações da doença só aumentam. “Eu tenho dificuldades para engolir comprimidos, certos tipos de alimentos. A noite também eu fico com falta de ar às vezes porque ele incomoda bastante, é como se eu tivesse uma bola na minha garganta”, detalhou. A técnica em enfermagem já fez exames preparatórios para a cirurgia. O médico que a atendia em Sobradinho foi transferido para o Hospital de Base, o que piorou a situação. Desde a última consulta, há seis meses, ela não sabe como esta o tumor nem quando vai ser operada. “Me colocaram na fila de espera do Hospital de Base e não me dão resposta. Eu venho aqui saber informações sobre o lugar que estou na fila e eles dizem que é só aguardar em casa”, disse. De acordo com o diretor geral do Hospital de Base, cinco mil pacientes esperam por uma cirurgia no Hospital. “No caso particular dessa paciente, esse tumor poderia ser operado por qualquer cirugião”, afirmou. Kenzô Machida / Edgar de Andrade