7 de abr. de 2010

GDF pode ter desviado mais R$ 100 milhões do governo federal

A constatação é dos auditores da Controladoria-Geral da União (CGU). De onde esse dinheiro foi retirado e aonde ele foi parar? Os detalhes você confere na reportagem de Leonardo Ribbeiro.

O GDF pediu e o governo federal ajudou. Em quatro anos, repassou R$ 27 bilhões de ao Distrito Federal. Dinheiro para ser gasto em obras, saúde, segurança e educação. Mas nem tudo saiu como previsto, conforme o relatório preliminar da Controladoria-Geral da União (CGU). É o caso da urbanização da Vila Estrutural. Foram constatados sobrepreço e variação indevida de custos de mais de R$ 800 mil. Na construção da rede de esgoto, de água e asfalto em Ceilândia, situação semelhante. Os auditores identificaram que a empresa responsável pelas obras foi contratada sem licitação. Problemas também na compra de medicamentos. De acordo com a CGU, o prejuízo pode ter chegado a R$ 11 milhões, por causa de suposto superfaturamento. Os técnicos apontaram exemplos: um remédio que no mercado era vendido a no máximo R$ 2,93 era comprado pelo Governo do DF por R$ 3,53. A análise constatou ainda que a Secretaria de Saúde pagou valor acima da tabela do SUS para uso de UTIs em hospitais particulares. Só em 2007 foram R$ 38 milhões. Na educação, outros indícios de ilegalidade. Na compra de merenda, uma fraude na licitação teria gerado prejuízo de R$ 212 mil e no transporte escolar, mais R$ 261mil. Outro exemplo: carteiras escolares adquiridas com preço 131% acima do valor de mercado. O pente-fino foi feito para tentar identificar o quanto de verba federal teria sido desviado pelas empresas investigadas na Operação Caixa de Pandora. A CGU descobriu que a maior parte desses contratos foi paga com recursos do próprio GDF e de financiamentos internacionais. Sete empresas citadas no inquérito receberam mais de R$ 320 milhões. Um aumento de 356% em quatro anos. “Nós não podemos falar no que cheira ou não. Mas que isso é indício de alguma situação irregular, é. E nós vamos aprofundar isso junto com a polícia”, disse o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage. Leonardo Ribbeiro