Construído pela Abrace, Hospital da Criança está fechado pela falta de assinatura de contrato de gestão. Com o atraso, rede pública deixa de fazer quase cem mil atendimentos especializados por ano.
Um bloco do Hospital da Criança, construído pela Abrace (Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadora de Câncer e Hemopatias) com dinheiro de doações, está pronto há um ano e meio, mas ainda não foi inaugurado. A culpa é da burocracia: falta uma assinatura para o centro especializado começar a funcionar. Com o hospital, a capacidade de atendimento a crianças com câncer vai dobrar e as consultas em outras especialidades vão aumentar de duas para oito mil. Uma porteira e um cadeado mantém fechada a estrutura moderna e inovadora. Um projeto único no país, onde as crianças vão esperar a vez da consulta em brinquedotecas. No prédio de sete mil metros quadrados, há salas para exames, quimioterapia e hemodiálise. A construção levou três anos e custou R$ 15 milhões. Os problemas começaram quando a Abrace entregou o prédio ao GDF, que devolveu alegando dificuldades para administrar. Além da burocracia para arrumar os papéis, a associação ainda perdeu R$ 7 milhões para compra de equipamentos no orçamento da União do ano passado porque o projeto sumiu dos computadores do Ministério da Saúde. Mas o funcionamento do hospital depende principalmente do GDF, que além de pagar metade dos equipamentos, vai custear salários, medicamentos, água, luz e a limpeza. Para isso, basta assinar o contrato de gestão, o que está sendo adiado desde julho do ano passado, quando a Abrace criou a organização social que vai gerir o Hospital Infantil. Após a operação Caixa de Pandora, as negociações com o governo pararam de vez. A Abrace recebeu garantias de todos que ocuparam a cadeira de governador desde a saída de José Roberto Arruda, mas nada do contrato. “Se assinarmos o contrato hoje, vai levar quatro meses para começar a funcionar e nove para estar totalmente funcionando”, detalha a presidente da Abrace, Ilda Peliz. O secretário de Saúde, Joaquim Barbosa, disse que falta só a análise da Procuradoria do DF para assinar o contrato. “O atual governo tem um interesse enorme. Tudo já está ok e acreditamos que o mais rápido possível, quando essa documentação voltar, eu já possa legalizar e oficializar um ato jurídico para que a gente tenha essa instituição funcionando”, explicou. De acordo com o secretário de saúde, o contrato deve ser assinado na próxima semana. O hospital completo terá 31 leitos para UTI e mais 120 para internação. Com o atraso, a rede pública deixa de fazer quase cem mil atendimentos especializados a crianças por ano.