18 de mai. de 2010

Falta de materiais básicos mostram caos na rede pública de saúde

Agulha, esparadrapo e bisturi são alguns dos itens que faltam no Hospital de Ceilândia. Familiares de ciclista morto afirmam que ele não recebeu tratamento adequado e poderia ter sobrevivido.

A falta de materiais nos hospitais da rede pública é comum. Uma lista está fixada na porta do Hospital de Ceilândia e do Hospital de Base. No papel, 29 itens que estão em falta. Entre eles: agulha, esparadrapo, lâmina de bisturi e sonda. A lista está fixada na porta do centro cirúrgico e aponta 29 itens que estão em falta. Entre eles: agulha, esparadrapo, lâmina de bisturi e sonda. E ainda avisa: não há previsão para repor esses materiais. O problema se repete no Hospital de Ceilândia. O trabalho é no improviso. O que agora está escrito e documentado, comprova o que todos sentem na pele: o caos tomou conta da rede pública de saúde. Sobre a falta de leitos e o contrato com a rede particular - que garante 150 leitos de UTI - a Secretaria de Saúde informou que só vai falar sobre o assunto depois da auditoria dos contratos. No final da manhã desta quinta-feira, dia 06, o governador Rogério Rosso, disse que mandou resolver o problema da falta de material e cumprir a descentralização administrativa. Ciclista Será enterrado hoje de tarde, em Taguatinga, o corpo do ciclista Alexsandro Brito. A família dele precisou ir à Justiça para conseguir uma vaga na UTI, mas, a solução veio tarde.
Alexsandro, de 31 anos, se acidentou no último domingo quando participava do Desafio Internacional de Mountain Bike. Com lesões na cabeça, ele foi levado de helicóptero para o Hospital de Base. No mesmo dia, um neurocirurgião recomendou a transferência para a UTI. Sem leito na rede pública, a família conseguiu na Justiça uma vaga em hospital particular, mas o ciclista não resistiu. “Ele ficou na maca, como muito estão lá. Não é só ele, ele foi só mais um de muitos que estão precisando de atendimento”, afirmou o cunhado de Alexsandro Marco Duarte. A família do atleta afirma que ele poderia ter sobrevivido se tivesse recebido atendimento adequado. “Precisei de esparadrapo e não tinha. Eles tiraram um esparadrapo da parede eu falei ‘meu Deus, um esparadrapo sujo! Esta doido?’”, lembrou Marco.