Até quem está acostumado com a pista pode ser pego de surpresa. Na semana passada, uma motorista pegou um retorno errado, caiu numa vala e morreu.Há quase um ano, a EPTG virou um grande canteiro de obras, com desvios para todo lado. Placas alertam, mas nem sempre o motorista consegue escapar do perigo. Na madrugada da sexta-feira passada, dia 28, Vanessa Coelho, 31 anos, caiu em uma vala. Segundo a polícia, ela retornou onde não deveria, em um acostamento de terra e capotou, pelo menos, duas vezes. Ela foi para o Hospital de Base inconsciente. Depois, foi transferida para um hospital particular e na quarta-feira, dia 2, teve morte cerebral. A família de Vanessa está revoltada e reclama que faltava uma proteção efetiva no buraco de 12 metros onde ela caiu. Só depois do acidente, uma cerca foi colocada no local. À noite, o problema é ainda maior. No escuro, fica difícil para o motorista perceber o tamanho do desnível que está ao lado. A falta de iluminação dificulta a visibilidade e o ziguezague dos carros aumenta o risco de acidentes. Tem trecho que não existe nem mesmo uma identificação das faixas da pista. E o asfalto velho obriga o motorista a reduzir bruscamente. “Tem muitos acidentes mesmo, principalmente pela falta de sinalização. Deveria ter mais placas luminosas, mais avisos e instruções. Principalmente nessa época que não tem nada pintado e ainda não tem as placas definitivas”, sugere o administrador Marcelo Ramalho. “Eles vão arrumando um pedaço aqui, outro ali. Tem que desviar mesmo. E quem passa todo dia aqui, é que sabe por onde anda”, diz o professor Edson Bonfim. “Os carros já estão em cima do desvio, a sinalização é precária e a chance de ocorrer um acidente é muito maior”, fala a professora Agnes Trince. “A gente dá a volta, contorna por dentro da Vicente Pires para evitar a via normal. A gente vê constantemente o desespero das pessoas atravessando a pista de um lado para o outro, fazendo milagres entre os veículos para ter acesso ao seu destino normal”, conta o servidor público Marcelo da Silva. A direção do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) não foi localizada para falar sobre as obras. O comandante da Polícia Rodoviária, tenente-coronel Alessandro Venturim, fala sobre alguns cuidados que os motoristas devem ter em locais com obras. O comandante alerta: canteiro de obras é um ambiente que está sempre em modificação. “A atenção deve ser redobrada e a velocidade reduzida. Nunca devem tentar retornar em local proibido ou usar caminhos não autorizados. Mesmo que a pessoa se confunda com a sinalização e erre o caminho que tem que seguir, é preferível que perca um pouco de tempo para retornar com segurança, do que tentar um desvio irregular”, recomenda. Albert Steinberger / Almir de Queiroz / Marconi Prysthon
