De acordo com o CRM, tudo depende da Secretaria de Saúde. É preciso melhorar as condições de trabalho no hospital. Além disso, pacientes reclamam da falta material e do atendimento.Oronita levou a filha Emily, de 3 anos, ao Hospital Regional de Samambaia. A menina caiu, bateu a cabeça e estava com vômito e sonolência. Mesmo assim, ela não conseguiu atendimento com um pediatra. "Como eu tava preocupada com a situação dela tive que ir ao clínico médico", conta a escriturária Oronita Cruz dos Santos. Renata foi ao hospital pelo quarto dia consecutivo. Nos três primeiros, voltou para casa sem atendimento porque não tinha médico. A inflamação na garganta e a rouquidão só pioraram e o trabalho da professora ficou prejudicado. "No primeiro dia, a garganta estava só inflamada. Agora eu já estou muito rouca e preciso da minha voz para trabalhar", conta a professora de dança Renata do Nascimento Nunes. Delourdes lembra de quando a mãe ficou internada, há dois meses. Ela diz que faltavam vários materiais. "Tinha dia que nem seringa tinha. Faltava gaze, faltava uma entradinha da injeção que eu não sei o nome e outras coisas", revela a costureira Delourdes Nunes. Não são só os pacientes que reclamam. Os médicos do Hospital de Samambaia procuraram o sindicato, o Conselho Regional de Medicina e o Ministério Público do DF para dizer que do jeito que está não dá pra trabalhar direito. “Falta de materiais, falta de remédios, falta de exames complementares e falta de profissional. Só tem um plantonista de dia e tem noite que não tem plantonista. O médico que está de plantão é obrigado a permanecer no hospital porque não tem substituto”, denuncia o presidente do Sindicato dos Médicos do DF Gutenberg Fialho. O Conselho Regional de Medicina do DF confirmou as denúncias dos médicos e enviou um ofício à diretoria do hospital e à Secretária de Saúde pedindo providências imediatas. O prazo é de 15 dias e termina na próxima sexta-feira. Na segunda, dia 7 de junho, o conselho promete uma nova visita ao hospital. Se os problemas continuarem, o pronto-socorro será interditado nos setores de clínica médica e pediatria. “O médico precisa de segurança para trabalhar. Além de ter segurança, precisa ter condição de trabalho. O código é bem claro: quando o médico não tem condição de trabalho ele pode se retirar do local de trabalho”, destaca o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do DF, Iran Augusto Cardoso. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a partir de sexta-feira novos médicos vão se apresentar para trabalhar no pronto-socorro. Ainda de acordo com a secretaria, as demais denúncias foram esclarecidas para o Conselho Regional de Medicina.
Luísa Doyle / Braz Vieira