Nem sempre o dono do imóvel pode se mudar assim que as chaves são entregues. É neste momento que a construtora registra o prédio em cartório e vai atrás das licenças.A policial militar Marlene de Medeiros esperava que o apartamento ficasse pronto no fim de novembro do ano passado. Ela queria comemorar o fim do ano no novo imóvel. Mas, até hoje, em maio, ainda não conseguiu se mudar. “Eu tinha planejado tudo. Combinei com os amigos e com a família de fazer a virada do ano no apartamento. Depois da virada do ano, ia receber meus móveis planejados. Já estão pagos. Devido ao atraso, deu tempo de pagar tudo. Mesmo assim, não posso receber porque não tenho acesso”, conta Marlene. A causa do atraso? O habite-se. O documento que o governo atesta que o apartamento está pronto para receber o seu primeiro morador. Para cada mês de atraso na entrega o valor a ser pago fica maior, já que é corrigido pela inflação. “Tá sendo uma base de R$ 900 por mês de correção. Isso vai sendo acumulado no meu saldo devedor. Quando eu for pegar o financiamento, o valor vai ser agregado a toda essa correção”, acrescenta Marlene. Para a o Sindicato da Construção Civil, o problema é que o governo não consegue acompanhar o ritmo de crescimento do mercado imobiliário. A vistoria tem que ser feita por, no mínimo, sete empresas públicas. Entre elas estão a CEB, a Caesb e o Corpo de Bombeiros. “Você tem atraso na aprovação dos projetos, exatamente por falta de técnicos qualificados. Você tem atraso na emissão dos alvarás de construção e no final, tem atraso na emissão do habite-se. Isso provoca uma série de problemas para as empresas e também atrasa novos investimentos”, diz o presidente do Sinduscon Elson Póvoa. A Caesb informou que não atrasa os laudos e nem sofre com a falta de técnicos. Águas Claras é que teria prédios demais. A CEB reconhece que tem poucos funcionários, mas sempre procura fazer as vistorias dentro do prazo.
O Corpo de Bombeiros alega que muitas vezes não libera o imóvel porque alguns prédios são entregues sem itens básicos de segurança, como extintores de incêndio e hidrantes.
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José Geraldo Tardin, diretor presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, participou do Bom Dia DF desta terça-feira e tirou dúvidas sobre o assunto. A entrevista completa você acompanha pelo vídeo acima.
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