24 de jul. de 2010

Calçamento é precário em vários pontos do DF

A falta de calçadas é um problema antigo no Setor Comercial Sul. Grande parte delas está sendo reformada, mas a mudança trouxe problemas. Valas foram construídas ao longo de todo o novo calçamento.
O vendedor de consórcios João Pedro da Silva trabalha no Setor Comercial. Ainda criança, ele teve paralisia infantil e por isso tem dificuldade para andar. Todos os dias ele pega um ônibus em Sobradinho para ir para o trabalho. As dificuldades começam na parada. “Quando eu chego em um ônibus, se o motorista tiver boa vontade de encostar, eu desço sem problemas. Mas nem sempre isso é possível porque chega muito carro e o ônibus para longe”, explica.
As valas criaram uma dificuldade extra para João Pedro. “Eu consigo passar, mas seria melhor se não tivesse. Algo precisava ser feito, tudo isso aqui era calçada e estava ruim mesmo, precisava de uma reforma. Mas só que a reforma ficou pela metade. As pessoas continuam passando por onde passavam antes, só que não tem mais a calçada”, diz.
A reforma começou em janeiro e ainda é possível encontrar trechos com restos de materiais de construção e trechos inacabados. “Conseguiram piorar o que já era ruim. Do jeito que era antes, eu pelo menos conseguia um acesso com menos dificuldade. Agora ficou mais difícil e a gente vai ter que arranjar outra solução”, avalia.
De acordo com o secretário adjunto de Obras, Romero Alheiro, a acessibilidade não foi esquecida na reforma das calçadas. “O que foi tentando aqui para o deficiente visual ter acesso foi colocar o concreto in loco, para substituir as placas táteis, mas não foi aprovado pela fiscalização”, afirma. O secretario informou ainda que a obra é de responsabilidade da Novacap, e a previsão é de que a obra seja finalizada até agosto. “As placas táteis já foram adquiridas e a previsão de conclusão é agosto”, informa
Alheiro destaca que a acessibilidade para portadores de necessidades especiais está sendo reformulada em todo o Setor Comercial. “Existe acessibilidade pela margem que dá para o Hospital de Base, dos visuais através de placas táteis e o meio fio terá trechos rebaixados para facilitar o acesso de cadeirantes”, conta.
Problema comum
O calçamento irregular também está presente em outras áreas do DF. Para os pedestres, a caminhada se torna um risco na QNP 30, de Ceilândia. “Andando com criança é perigoso a gente cair”, conta um morador. “Dá trabalho [caminhar] e não é só aqui não, é na maior parte do caminho”, destaca a estudante Vanessa Soares.
Em Taguatinga, o mato cresce em frente à Escola Classe 13, na QSF 5, e atrapalha quem precisa passar. “Eu não sei o que é pior: se é andar correndo o risco de machucar ou andar no meio dos carros”, diz a auxiliar de portaria Sebastiana Campos.
Na QSF, a estudante Maura Abilene tem dificuldade para passar com o carrinho de bebê sobre as pedras que ocupam o lugar da calçada. “É difícil passear com ele por aqui porque as calçadas são irregulares. Já quebrei o carrinho uma vez e passo e no meio da rua mesmo. Os carros buzinam e acha que é por falta de educação, mas é porque é ruim mesmo passar pela calçada”, conta.
Na QE 40 do Guará, um lado da pista tem calçada bem cuidada, destinada para a prática de esportes, mas do outro, a pista acaba e os pedestres têm que desviar dos carros. “Aqui eles fizeram reforma e nem colocaram calçada”, diz o alinhador Everaldo Dias.
No Plano Piloto, muitas quadras enfrentam o mesmo problema. Nas 700, as calçadas são antigas e estão quebradas. O servidor público Mauro Rodrigues é cadeirante e mora há dez anos na quadra 315 Sul. “Aqui é bom, tem acessibilidade, as calçadas são boas, eu não encontro a menor dificuldade em andar por aqui. Agora, quando eu saio para lugares mais distantes, eu sinto dificuldade”, relata.
Em Itapoã, é até difícil saber o que é calçada. Nas áreas destinadas para os pedestres, há entulho e até mercadorias. “Às vezes é complicado andar na calçada porque tem terra demais, as crianças caem. Isso quando não tem carro, moto”, diz dona de casa,Leidiane Araújo.
Até em frente à administração da cidade, a calçada é feita de terra batida e a cidade continua uma mistura de carros, pessoas, motos, ciclistas. “O espaço é pouco, a cidade não foi planejada. Se tivesse sido planejada, teria mais espaço”, avalia a dona de casa Cleonice Silva.
O secretario adjunto de obras explica que a Secretaria de Obras, junto com a Nocacap, é responsável pela construção e manutenção das calçadas, mas as próprias administrações regionais cuidam da manutenção do calçamento. “A previsão para esse ano é de que cerca de R$ 25 milhões sejam gastos em calçadas em todo o DF”, destaca. Viviane Costa / Marcos Tavares /Manoel Lenaldo