Oito citados no inquérito são candidatos. Análise da variação patrimonial em relação às últimas eleições mostra que um empobreceu; um ex-milionário, hoje não tem nada e muitos enriqueceram.
A investigação da Caixa de Pandora revelou um esquema que teria a participação do primeiro escalão do governo, de empresários com interesses em contratos com a administração pública e de deputados distritais que receberiam propina pra aprovar projetos. O inquérito ainda não foi concluído e por enquanto ninguém foi indiciado.
Depois de algum tempo sem aparecer ou dar declarações, oito citados no inquérito da operação Caixa de Pandora voltam ao cenário político. Entre eles, pelo menos três tiveram aumento de patrimônio em relação às últimas eleições.
Em quatro anos, a variação de patrimônio de Rôney Nemer (PMDB) foi de 49%. A de Benício Tavares (PMDB), de 60%. O patrimônio de Aylton Gomes (PR) teve a maior variação desde 2006: subiu 245%.
De acordo com a declaração de bens de Pedro do Ovo (PRP), o patrimônio dele diminuiu 161%. Já Berinaldo Ponte, que em 2006 declarou R$ 90.500 mil, este ano não declarou bens. Nas últimas eleições, Benedito Domingos (PP) havia declarado mais de R$ 2,3 milhões. Agora, não declarou nada.
Os ex-secretários do governo José Roberto Arruda, José Luiz Valente e Roberto Giffoni, também citados no inquérito da Caixa de Pandora, não se candidataram na última eleição. Giffoni disse que o patrimônio dele foi acumulado em 25 anos de trabalho como procurador federal. A assessoria de Benício Tavares informou que a evolução patrimonial é compatível com o salário dele.
José Luiz Valente afirmou que não tem patrimônio relevante e vive de salário. Rôney Nemer disse que tem poucas despesas pessoais e investe o salário em imóveis, que rendem alugueis. Benedito Domingos afirmou que deve ter havido erro no sistema da Justiça Eleitoral porque ele teria informado um aumento de cerca de 17% no patrimônio. Os outros candidatos citados na reportagem não foram encontrados.
Rafael Mônaco