Nessa segunda-feira (10), por exemplo, a luz acabou à noite e só voltou no dia seguinte, de manhã. E o pior: a cada interrupção do serviço, os prejuízos vão se acumulando.Há dois meses, o computador de Lucinete queimou depois de uma queda de energia. O prejuízo foi de mais de R$ 100. Na Quadra 107 de Águas Claras, onde ela mora, os apagões são comuns. “A conta nunca falha, né? Vem certinha pra pagar. O que falha é a luz, a energia é que acaba de vez”, reclama a dona de casa Lucinete Muniz. Há duas semanas, Antônio ficou 15 minutos preso dentro do elevador, durante uma queda de energia. Ontem, chegou atrasado ao trabalho porque não tinha como descer do prédio. “Inclusive, estou até operado do joelho. Pra ir trabalhar tive que aguardar a energia chegar, por volta de nove horas, pra não ter que descer seis andares de escada, que eu não aguento”, conta o servidor público Antônio Damião. No fim do ano passado, o aposentado Jesus Evaristo da Silva, 80 anos, machucou as costas e agora também não pode subir ou descer escadas. Mas ele não tem obedecido às recomendações do médico. “Eu desci e fui à padaria. Quando voltei, tinha acabado a energia. Eu esperei meia hora aqui embaixo. Aí, como não voltou, tive que enfrentar a escada”, lembra. Henver é síndico de um dos prédios e diz que já reclamou com a CEB, mas nunca teve uma resposta. Ele diz que a 107 é a única quadra que sofre com os apagões. “A gente olha ao redor e percebe que os prédios vizinhos têm luz. Na nossa quadra sempre falta. Sempre tem esse problema”, reclama o policial militar Henver Tibério. Quando a luz acaba, os moradores também sofrem com a falta de água, que depende da energia para ser bombeada até os apartamentos. “Você não toma banho, não lava louça e não dá descarga porque não tem água”, diz a corretora Amélia Nascimento. Além dos moradores, quem sofre com as constantes quedas de energia é o dono da única padaria da quadra. O comerciante diz que no último apagão perdeu 20% do lucro previsto para o dia. Produtos congelados estragaram. Tortas e doces derreteram. “Causa um transtorno muito grande, porque você tem que comprar tudo de novo, contratar mão-de-obra pra fazer tudo de novo. É complicado. A gente paga imposto e não é barato. Então, o que a gente espera é um serviço de qualidade do governo”, reclama Reginaldo Fernandes, gerente da padaria.Luisa Doyle / Wilson de Souza