19 de mai. de 2010

Pacientes sofrem para conseguir remédios de alto custo

O atraso na entrega de remédios reduz a expectativa de vida de dezenas de brasilienses.Aos 48 anos, Nilva precisou se aposentar. Aos poucos, está perdendo os movimentos dos braços e das pernas. A fala está mais lenta. Depois de mais de um ano buscando um diagnóstico, descobriu que tinha esclerose lateral amiotrófica. Para adiar os sintomas, precisa de medicação cara. São quase R$ 2 mil por mês. Desde novembro, ela pegava o remédio na Farmácia de Alto Custo. Mas, há três meses, os comprimidos estão em falta. “Todos os dias eu ligo. Todos os dias é a mesma resposta. Não dão nem prazo”, conta a aposentada Nilva Aparecida Santos. No início da semana, mais uma tentativa. Ela entra em contato por telefone e pergunta pelo Riluzol. A resposta? Não existe previsão para a chegada do medicamento. A cada negativa, mais um dia de incertezas. “Eu sei que estou descendo um degrau. Com a medicação, posso ter mais esperança. Posso ter mais uns dias de vida”, acrescenta Nilva. Os remédios de alto custo são fornecidos a partir de um laudo médico enviado ao Ministério da Saúde. O SUS é acionado e fornece o medicamento à farmácia. O paciente não precisa comprovar renda. Mesmo assim, a espera na fila tem sido em vão. Quem foi buscar a Atorvastatina, remédio para controlar o colesterol, obteve a mesma resposta que Nilva, por telefone. “Agora eu vou comprar, como já venho comprando. Fica apertado. Sou aposentado, né?”, destaca o aposentado José Carlos Nobre. A reportagem do Bom Dia DF ficou 20 minutos em frente à Farmácia de Alto Custo. Era uma reclamação atrás da outra. “Novamente, não consegui. Há três meses que venho buscar Closapina e não está disponível”, conta o funcionário público Eduardo Albano da Costa. Esânia tem esclerose múltipla e há três meses não consegue o Betaferon. Já sente dificuldade em conversar. “A minha atividade do dia a dia fica comprometida. Inclusive, estou encostada, ou seja, não estou trabalhando”, revela a enfermeira Esânia Alves. “Me sinto trêmula e o povo diz que esse remédio é pra sustentar a vida. Se parar morre. E eu estou com medo de morrer”, confessa a dona de casa Maria Carvalho.A reportagem é de Viviane Costa e Edgar de Andrade.